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Esses dias eu assisti algo que me deixou pensando.
Qual foi a última vez que você assistiu algo que lhe deixou refletindo por dias? Daquelas obras que por mais que tente fugir, ela ainda o acompanha mesmo que em pequenos resquícios, como manifestações oníricas. Daquelas obras que você se reconhece, promete a si que agiria diferente ou aquela que te causa repulsa, que te deixa enojado, instigado, seduzido e não importa se você está comendo, trabalhando, no ônibus, você se pega pensando sobre aquele filme.
Tenho refletido acerca de minha relação com o que consumo, principalmente ao me reencontrar com o 'eu' do passado através desse blog e reler o que eu entendia-sentia no momento em que elaborava através de publicações. Atualmente parece que não lembro das séries/filmes que assisti semana passada, não estou refletindo sobre o que vejo? as coisas não estão me impactando? ou atualmente não se fazem mais filmes como antigamente? Essas respostas me serviriam se eu não adotasse uma postura dialética em observar para além do eu. Lendo o que escrevi eu pude perceber um pouco de mim, da minha família, da minha cidade, dos meus amigos, da minha escola, de quem nem lembro o nome. São registros de uma cultura inserida em um determinado espaço/tempo, e quando isso perdeu valor? Quando eu perdi valor?
Outro evento que também me deixou a pensar sobre essa questão foi reconhecer a postura de críticos de cinema/diretores na plataforma de registro de filmes (letterboxd), escrevendo resenhas e não classificando as obras em estrelas, que é o total oposto do que tenho feito, minha primeira reação ao acabar o filme é classifica-lo entre 1 e 5 estrelas, mas o que isso significa? Sem palavras junto à sua classificação ela se perde ao meio de centenas constelações que concordam ou discordam de você.
Existiram diversos motivos que me fizeram voltar a escrever/publicar e foi um processo longo de muitas conversas e elaborações no espaço terapêutico, mas ainda há alguns que preciso citar como o novo álbum do Bad Bunny "DeBÍ TiRAR MáS FOToS" que referenciou o título e imagem do post, na qual ele aborda a importância dos registros frente ao colonialismo norte americano em Porto Rico, refletindo sobre processos de gentrificação, apagamento cultural, entre outros temas. A fotografia exposta no post faz parte de um mirante - aqui preciso explicar que atualmente moro em um município serrano com mais de 600m de altitude, esse lugar na qual eu ia com frequência foi privatizado, a fauna e a flora que já foram meus confidentes de sorrisos, lágrimas, desejos e medos dará espaço para mais um condomínio serrano, vivendo apenas em registros e lembranças de todos aqueles que fugiam do sofrimento urbano para observar a imensidão.
Existiram também outros empurrãozinhos que me ajudaram a namorar com a escrita novamente, mas gostaria de falar sobre eles depois, deixarei um salve para o Vienno que me fez refletir sobre o uso de nossos registros em redes sociais lideradas por bilionários sebosos, meu tio Beethovem escrevendo resenhas em seu projeto literário, minha terapeuta por me ajudar a elaborar esse momento de voltar a si antes de se jogar no mundo e aqui estou eu, dez anos depois do último post pronto para registrar para os próximos Leonardo's que virão a importância de refletir-elaborar-registrar as coisas que o cativa.
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