Já faz um tempo que tenho elaborado a respeito de minhas contradições, por vezes elas me assombram como se eu estivesse em um reality show e tudo que ja acreditei fosse uma sentença na qual eu necessitasse esconder, ao andar sob essa corda bamba eu tento não pender para nem um lado, como se o equilíbrio fosse formado por partes milimetricamente iguais.
Eu tive um professor que amava responder nossas perguntas com "sim e não", talvez eu considere essa a lição mais importante que ele nos concedeu, a permissão à complexidade. Viver é complexo e contraditório, tento fugir de verdades absolutas e convicções incontestáveis, porém quando a dúvida vira uma regra, aonde floresce o contraditório? A verdade é que recorrentemente me pego com julgamentos estáticos sobre mim e sobre o mundo.
O mundo, que quando eu era pequeno achava que o mundo era minha cidade e a capital, quanto mais leio, ouço, caminho, descubro mais e sei menos sobre esse território que chamamos de terra e que é coberto de mar, água que é fruto da vida e que em breve irá nos afogar, que grande contradição, não?
Tive outros contatos com a contradição através do âmbito acadêmico, contradições epistemológicas, contradições sobre o sistema vigente, contradições psicossociais, assim como tenho muita relação com a contradição ao observar o comportamento humano, sendo televisionado ou não, alô fãs de realitys shows (há quem ache contraditório um acadêmico fã de bbb), tive convívio com a contradição através da arte, inclusive gosto muito da arte abstrata pela imensidão de significados em si só, senti um gostinho da contradição através da música (salve para a música 'contradições' do fbc e aqui preciso destacar uma música do Don L que toca em contradições muito íntimas como quando ele canta 'Aquela Fé' na qual cita: "Uma luta contra o mundo; Pra fazer parte do mundo que cê luta contra; O quanto é tudo (fake) vulto; Eu devo tá errado; Eu sou comunista e curto carros; Eu quero vencer e faço amizade com fracassados; Eu quero ser amado; Assumindo quando amo pa caralho" (...) "Mil voltas no mundo; Em buscas e busca; Depois mais mil voltas em círculo; Um circo num cerco de insanidade; A fim de recuperar o que cê já tinha no início".
Tive contato com minhas próprias contradições e por muito tempo tentei esconder, maquiar, me afastar, mas hoje as olho com mais atenção e carinho, por vezes acessei lugares da qual não me reconheço (e talvez nem na época me era pertencente), mas sei que foram/são primordiais para minha construção, ou não, e tudo bem. Tudo bem se eu só tiver fingido estrategicamente que gostava de algo para se sente mais amado ou sobreviver, não tenho mais condolências de quem já fui. Li no instagram um texto da genipapos sobre a importância da falsidade tática que ela fala "Que seja, se necessário, a noite das mentirosas, das que inventam seus próprios rituais, das que, sem fé, dizem amém a um deus que não é seu e de quem, menos ainda, são (...) E quando nos acharem vencidas, convertidas e endireitadas, por fora ou por dentro, que a gente continue rindo".
A contradição ainda tem sido um dilema. Por vezes ainda nego meu movimento, miro nos extremos e acerto em um lugar no "entre" na qual me isolo e me sinto isolado, e tenho medo de dizer que gosto tanto da Taylor Swift quanto da Beyoncé, que amo rap e pop, gay culture e futebol, que tem dias que estou à mil disposição e no mesmo dia morro de preguiça, que concordo, mas depois já não tenho certeza que concordo e quando ouvir um comentário contrário talvez eu discorde e não volte atrás, ou volte. Eu volto. Volto ao ponto de pensar novamente sobre a contradição, de ter muita vergonha de admitir e depois publicar um texto sobre dizendo que sim, eu sou contraditório. Amanhã talvez releia e ache isso tudo muito engraçado, ou triste.
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